Ambidestria organizacional, mentalidade abundante e digital são algumas das habilidades necessárias dos tempos incertos

Vivemos em um cenário de mudanças constantes e cada vez mais velozes – isso é fato. Também por isso, os negócios tiveram de aprender a ser resilientes e a criar sustentações que os fazem se erguer e reerguer em meio às incertezas. Mas a falta de previsibilidade dentro do cenário atual, que o antropólogo futurista Jamais Cascio chama de BANI (do inglês “Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible”, ou “Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível”, em tradução livre), cria anseios e estresses que a resiliência, por si só, já não é mais suficiente.  Novas visões e habilidades precisam ser desenvolvidas para que os impactos causados pelas inconstâncias sejam mitigados e aproveitados. 

“Fomos educados sob a lógica da produção e dos conceitos industriais. Esses conceitos estão sendo transformados pela nova economia, por isso as empresas precisam também de novas competências”, observa Ricardo Castro, vice-presidente de Digital, Consulting & Business Development da Vexia. “Mais do que ser resilientes, elas precisam ser antifrágeis“, completa. 

O autor do livro ‘Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o caos’, Nassim Nicholas Taleb, define a antifragilidade como uma característica que vai muito além da resiliência e da robustez. “O resiliente resiste às colisões e permanece igual; o antifrágil fica cada vez melhor”, afirma o autor. O conceito pode ser aplicado para tudo o que é mutável ao longo do tempo – negócios estão inclusos nessa lista. 

“Vivemos em um ambiente cada vez mais efêmero e o impacto desta volatilidade de forma global é inevitável, porque as coisas estão cada vez mais conectadas globalmente”, observa Roberto Uemoto, CEO da Vexia.  

Brasil, um desafio à parte 

No Brasil, há uma camada extra adicionada ao contexto BANI que faz a mentalidade antifrágil ser ainda mais essencial: as regras e legislações complexas e burocráticas, como estruturas trabalhistas e tributárias, com seus inúmeros impostos em todos os níveis (federal, estadual, municipal). “Existem muitas coisas a serem feitas para reduzir o nível de burocracia na nossa realidade e isso é uma jornada de evolução que se dará em anos, o que aumenta consideravelmente a volatilidade e complexidade do nosso cenário”, observa Uemoto. 

A chegada da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a ascensão de demandas ESG (do inglês, “Environmental, Social and Corporate Governance”, ou “Governança Ambiental, Social e Corporativa”, em tradução) se somam ao quadro. 

Diante de todas essas complexidades, como então é possível alcançar o patamar da antifragilidade e traçar caminhos possíveis, de modo a lidar com as mudanças sejam elas quais forem?  
 

#Características da antifragilidade:  

  1. Tenha consciência do inesperado e combine o planejamento tradicional à capacidade de adaptação diante de um imprevisto. 
  1. Estude crises semelhantes à sua, reconheça fragilidades, construa cenários e tome decisões. 
  1. Não deixe de agir por temer a ocorrência de erros. 
  1. Não gaste energia tentando se blindar contra mudanças — desenvolva habilidades para lidar com elas.  
  1. Encare o que é novo como um desafio e oportunidade — e não como uma ameaça. 
  1. Crie o hábito de dar e receber feedbacks de forma clara e honesta. 
  1. Encare os problemas, anote os aprendizados e leve-os para projetos futuros. 

#Abundância versus Escassez 

Outro pensador que traz novos posicionamentos para o mercado atual é Peter Diamandis, cofundador e presidente executivo da Singularity University. Ele explica sobre as possibilidades que a mentalidade da abundância pode trazer aos negócios. “Quando penso em criar abundância, não se trata de criar uma vida de luxo para todos no planeta; se trata de criar uma vida de possibilidades, de pegar aquilo que era escasso e torná-lo abundante”, afirmou durante uma palestra para o TEDx, complementando que a tecnologia “é uma força liberadora de recursos”. 

Isso se traduz em leveza e flexibilidade para os negócios, bem como otimização de recursos. Um exemplo clássico desse universo: a computação em nuvem. Se olharmos para o passado, era comum ter dentro de casa toda a infraestrutura de TI necessária para manter o crescimento dos negócios. A mentalidade da escassez diz que esse recurso é finito: você usa até a máxima capacidade e, se precisar de mais, precisa investir para ampliar. 

A abundância diz que você pode expandir mesmo sem ter a infraestrutura internamente. O mesmo vale para problemas de negócio: “a limitação de recursos não é um fator que, de fato, limita. Se o foco é na solução ao invés do que falta, eu passo a olhar para parceiros e tecnologias que possam me ajudar a resolver problemas e encontrar soluções”, explica Castro. 

#Ambidestria organizacional  

A mentalidade da abundância é a semente que cultiva a chamada ‘ambidestria organizacional’, ou seja, a capacidade de um negócio de equilibrar o foco na eficiência operacional necessária ao presente, sem deixar de se manter atualizado e de olhar para o futuro. “Como hoje tudo está mudando muito rápido, focar somente no aqui e agora pode ser perigoso, porque certamente alguém mais disruptivo irá ultrapassar o seu negócio”, comenta Castro, usando como exemplo o clássico da Kodak, que decidiu apenas melhorar o que sabia fazer de melhor – as tecnologias para fotos analógicas – e perdeu o timing de inovar nas fotos digitais. 

“Se focar apenas no que sei fazer de melhor, sem olhar para o futuro, eu não vou acompanhar o que está por vir; tampouco ir além do básico. É preciso equilíbrio para entregar no presente e olhar para frente, a fim de manter a competitividade”, completa o executivo. 

#Mapeamento de processos e gestão de riscos 

O novo modus operand dos negócios está intrinsecamente atrelado a um mindset digital. Dessa forma, é preciso estabelecer uma boa gestão de risco, mapear processos e identificar as áreas que precisam ser otimizadas por meio de soluções tecnológicas. “Uma coisa é decidir fazer novos investimentos baseados em critérios técnicos que irão garantir o ROI, outra é você decidir isso por conta de um ‘feeling’“, comenta Uemoto sobre a importância do planejamento estratégico para a transformação digital.  

Investir de forma inteligente é focar no core do negócio e impulsionar a eficiência. Para isso, implementar soluções, como por exemplo RPAs a fim de garantir que os colaboradores tenham mais tempo para funções estratégicas, pode ser uma resposta.  

 
As soluções “as a Service”  também agregam, trazendo resiliência, flexibilidade e economia – fatores essenciais para a adaptabilidade de negócios aos novos contextos. “Com uma gestão Lean, ou seja, que evite desperdícios, e que opere com tecnologias de Business Process Solutions (BPS), você prepara seu negócio para lidar com a volatilidade de curto prazo”, exemplifica Uemoto. 

No longo prazo, a empresa que já amadureceu sua cultura e gestão digital, passa a investir em tecnologias disruptivas com foco em inovar cada vez mais. “Inteligência Artificial (IA) e blockchain são exemplos dessas tecnologias, as quais “permitem que o negócio se prepare para o futuro“, completa o executivo. 

Não há apenas um caminho a ser seguido para lidar com as transformações do mercado, o importante é saber que elas existem de forma exponencial. E faz parte do processo de planejamento de negócios sólidos e sustentáveis encontrar maneiras de endereçá-las. “Assim, as empresas que souberem se planejar no longo prazo e tiverem as ferramentas necessárias para navegar pelo caos, essas sim irão triunfar”, diz Uemoto.  

A Vexia é especializada em tornar a vida das empresas mais fácil por meio de soluções e consultoria, abrindo caminhos para o bem-estar dos colaboradores e foco no core business. Fale com um de nossos especialistas.  

Ricardo Castro
Vice-Presidente de Digital Technology Solutions
Roberto Uemoto
Diretor Superintendente