Por que repensar seus processos de análise e liberação de crédito?

Por mais que a economia esteja começando a dar sinais tímidos de melhora, isso não parece impactar ainda os níveis de endividamento da população. De acordo com dados do SPC Brasil, no 1º semestre de 2017, o país alcançou a marca de 59,8 milhões de inadimplentes, um índice tão elevado que tem levado muitos a se perguntar sobre a real eficácia dos métodos atuais de análise de crédito.

Até que ponto as sistemáticas na liberação de crédito das instituições financeiras e na aprovação de apólices (no caso das seguradoras) não são também responsáveis por essas taxas assustadoras? Pois muitas empresas encontraram no outsourcing dos processos de Governança, Risco e Compliance a resposta para essa questão.

Disso você deve entender que existem sim estratégias usadas por experts no assunto capazes de diminuir consideravelmente as provisões para créditos de liquidação duvidosa — conhecidas popularmente como provisões para calote. Para saber que estratégias são essas, basta acompanhar os próximos tópicos!

Modernizar seu processo de cadastro de dados

Muitas financeiras e seguradoras ainda usam os velhos modelos de formulários físicos, com informações genéricas, extremamente extensas e que pouco agregam ao processo de conhecimento do cliente. O problema é que essa primeira fase da análise de crédito (o cadastro) é certamente a mais importante para prevenir a inadimplência.

Com isso em mente, fica fácil entender por que é preciso trocar os papéis por questionários dinâmicos online, seguidos da apresentação de documentos — que podem ser eletrônicos, desde que haja posterior validação pessoal com as vias originais.

Mas atenção: não basta ter um cadastro relevante que jamais é atualizado! Lembre-se de que as condições financeiras dos indivíduos mudam de um ano para o outro. Com isso, sua capacidade de pagamento também varia. O ideal, então, é exigir a reapresentação dos documentos ao menos 1 vez a cada 12 meses, a fim de se prevenir contra possíveis inadimplências futuras.

Trabalhar com Big Data no rastreamento de perfis

Não são poucas as empresas que já usam Big Data Analytics para ter uma visão mais sistêmica na análise de crédito. Histórico de consumo, episódios de atrasos de pagamento e inadimplência, dados de movimentação bancária e até informações colhidas de redes sociais: tudo é matéria-prima para conhecer o cliente em 360° e, assim, receber um diagnóstico mais preciso sobre sua capacidade de pagamento.

Essa tática pode ser usada tanto por instituições financeiras que trabalham com liberação de crédito quanto por organizações em busca de fornecedores confiáveis para encabeçar sua estrutura de suprimentos.

O trabalho com grandes lotes de dados auxilia as companhias a compreenderem o risco da concessão de crédito e pode, inclusive, ser ponto de partida para a elaboração de empréstimos verdadeiramente personalizados, com taxas de juros proporcionais aos riscos determinados de forma computacional. Isso é análise de crédito de excelência na era dos negócios digitais!

Alinhar política de crédito com limitações da empresa

Imagine uma financeira que atua com liberação de crédito a aposentados e servidores públicos e usa como mote a ideia de conceder crédito pessoal em 24 horas. Para atuar nesse modelo express de análise de crédito, não basta apenas verificar se o cliente é, de fato, servidor público estável, se é pensionista ou aposentado regularmente vinculado ao INSS — até porque a taxa de inadimplência no setor público também é alta.

Apesar da segurança proporcionada pelo crédito consignado, dispensar uma avaliação profunda do histórico de pagamento desse público torna a operação perigosa. Além disso, fazer uma análise relâmpago exige uma equipe numerosa e altamente qualificada, bem como sistemas computadorizados que consigam cruzar dados em tempo recorde e de forma precisa.

Se essa nossa financeira imaginária não tiver toda essa estrutura, seu destino provavelmente será a falência. Isso reforça a ideia de atuar dentro do seu limite, dentro de sua capacidade de liberação de crédito, com uma política realista de concessão de valores.

Usar a geolocalização para detectar possíveis fraudes

O Brasil é o 2º país do mundo em relação ao número de fraudes em cartões de crédito, de débito e pré-pagos, perdendo apenas para o México. Considerando apenas os últimos 5 anos, 49% dos brasileiros relataram ter sofrido algum tipo de fraude com cartão. Esse cenário exige mudanças no processo de análise de crédito.

Se você quer que sua empresa mitigue os riscos decorrentes do chamado chargeback (cancelamento da compra em virtude do não reconhecimento por parte do titular do cartão), uma dica é prestar atenção no que anda acontecendo com um outro país do nosso continente: o Canadá.

Há alguns anos, os bancos canadenses começaram a implantar uma tecnologia que já vem trazendo resultados efetivos no controle de fraudes por cartões de crédito. E essa tecnologia pode perfeitamente ser usada por sua empresa na análise e liberação de crédito. Trata-se do uso de geolocalização para rastrear de onde foi feita a compra do cliente, partindo-se do conhecimento de que a maior parte das compras feitas atualmente é originada de dispositivos móveis.

Capturar a localização a partir de coordenadas de GPS e da rede wi-fi usada permite o cruzamento de dados com o perfil de compra do consumidor (posicionamentos geográficos mais comuns), identificando comportamentos suspeitos. Encontrando algum risco, o recurso pode disparar alertas ao titular do cartão, seja via SMS ou e-mail, bloqueando determinadas aquisições até que haja uma autorização formal.

Recorrer ao outsourcing para ganhar expertise na área

Por mais estruturada que seja sua empresa, não é possível se dedicar com excelência a diversas áreas ao mesmo tempo. Se sua organização começa a desviar parte de sua energia para reduzir as taxas de inadimplência, a atenção ao core business fica comprometida. Por outro lado, se ela deixar de se atentar à rigidez no processo de liberação de crédito, sua saúde financeira sofre.

Uma solução para esse dilema é recorrer ao outsourcing na avaliação e concessão de crédito. Empresas com alto grau de expertise em gerenciamento de riscos e estudo de perfil creditício trabalham com todas as ferramentas citadas até aqui, além de contarem com os mais renomados especialistas do mercado. Com isso, sua empresa não terá que investir pesado em tecnologia, tampouco onerar sua folha de pagamento com a contratação de profissionais de compliance, auditoria, cobrança, análise de crédito e assim por diante.

Na prática, a verdade é que organizações que escolhem recorrer a esse tipo de parceria costumam não retornar mais àquele ultrapassado modelo centralizado de análise e cobrança.

Agora que você compreendeu a importância de modernizar seus instrumentos e suas metodologias de análise e de liberação de crédito, aproveite para assinar a nossa newsletter e receber em seu e-mail dicas e conteúdos exclusivos sobre gerenciamento de risco, compliance, outsourcing de processos e muito mais!