16.11.2017
Internacionalização de empresas: 9 boas práticas

Muitos empresários sonham em ganhar o mundo, levando seus produtos e serviços além das fronteiras do Brasil. A boa notícia é que, ao contrário do que muita gente pode pensar, a internacionalização de empresas é uma estratégia recorrente, definitivamente não restrita às grandes organizações. E as perspectivas são ótimas!

De acordo com uma pesquisa realizada em 2016 pela Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (APEX-Brasil), para 72,2% dos empresários, o interesse pelo mercado externo vem da necessidade de aumentar as vendas. 65,3% querem diminuir os riscos e 61,3% almejam reduzir o impacto das instabilidades do mercado interno. Como você pode ver, as justificativas são mais que plausíveis.

No entanto, para ter sucesso nessa nova etapa, é preciso contar com planejamento e estratégia, levando em conta especialmente os fatores que listamos no post de hoje. Então confira e monte sua checklist!

1. Faça um estudo de viabilidade

Antes de investir na ampliação do negócio para outros países, é preciso ter certeza de que realmente existem boas oportunidades de sucesso. Comece, portanto, fazendo uma pesquisa ampla do mercado consumidor. Identifique demandas e perfis dos compradores, bem como o nível de concorrência com o qual será necessário lidar.

Também é preciso ser franco em relação à própria realidade da empresa. Afinal, a organização tem recursos para uma empreitada internacional? Será preciso investir em pessoal, equipamentos e assistência jurídica? Será necessário angariar aportes de investidores externos? Caso as respostas sejam positivas, a organização tem bandeira verde para começar a se internacionalizar.

2. Entenda os aspectos legais envolvidos

Como cada país tem autonomia para definir as regras de funcionamento das empresas em seu território, sejam elas nacionais ou não, busque conhecimento jurídico sobre aspectos decisivos do negócio — como direitos trabalhistas.

Também é preciso entender a forma como a movimentação de capital é autorizada, se o país em questão pode reter grandes porcentagens de lucro e, ainda, se faz exigências protecionistas — como mão de obra majoritariamente local.

3. Conheça o regime de impostos

Por mais que o empresário brasileiro já lide com um dos sistemas fiscais mais complexos e pesados do mundo, esse know-how não é suficiente para entrar no mercado internacional sem correr riscos.

Antes de mais nada, é preciso conhecer as taxações daqui sobre produtos exportados e sobre a captação de investimento estrangeiro. E como também será preciso lidar com tributações estrangeiras, vale contar com uma consultoria especializada.

4. Invista na mobilidade do negócio

Gerir uma única unidade corporativa já é um desafio e tanto mesmo com as lideranças fisicamente presentes. Agora imagine ter que controlar o negócio de uma filial que está a dezenas de milhares de quilômetros de distância. Não restam dúvidas: o negócio vai precisar das ferramentas certas de mobilidade.

Mas não se preocupe, porque a tecnologia vem removendo vários obstáculos nesse sentido. Hoje em dia, já é possível fazer reuniões e treinamentos por videoconferência ou entrar em contato direto com equipes externas por meios bem baratos e simples, como aplicativos de mensagens de celular.

Também é possível monitorar índices de performance de unidades a partir de qualquer lugar do mundo, tudo com o uso de ERPs — sistemas de gestão empresarial. Afinal, esses softwares podem usar a nuvem para armazenar e transmitir informações, permitindo que gestores analisem os dados das unidades via qualquer dispositivo conectado à internet, baseando suas tomadas de decisões estratégicas em informações concretas.

5. Procure investidores e parceiros

A principal preocupação da maioria dos empresários em relação à internacionalização de empresas diz respeito ao capital necessário. Quando falamos em pequenos e médios negócios, então, a questão fica ainda mais delicada, uma vez que eles não possuem a mesma margem de manobra financeira que as grandes organizações. Por isso, pode ser necessário buscar investidores externos para apostar na sua empresa.

Esses investidores podem ser abordados no Brasil, mas também podem ser compostos por atores estrangeiros. Assim, caso você pretenda atuar na Argentina, é claro que vale a pena apresentar seu cartão de visitas (e suas ideias) para os investidores de lá.

Além de poderem injetar dinheiro no negócio, investidores estrangeiros conhecem o mercado onde estão baseados e, portanto, conseguem identificar mais facilmente investimentos que podem trazer retornos ao mesmo tempo expressivos e seguros.

Outra opção é partir para uma joint venture. De certa forma, trata-se de uma parceira sólida, em que o parceiro internacional assume parte dos custos e riscos. Nesse caso, os lucros são divididos proporcionalmente.

6. Acerte no relacionamento com stakeholders

Seja para a compra de matérias-primas e de insumos ou para a contratação de serviços, a empresa precisa estabelecer uma nova rede de fornecedores ao atuar em outro país. Aqui, é preciso fazer uma boa pesquisa de mercado e ter cuidado extra com os contratos firmados com organizações internacionais.

Existe também a possibilidade de usar os stakeholders atuais, desde que eles sejam capazes de cumprir as demandas de uma empresa internacionalizada. Você pode recorrer à mesma fornecedora de TI em regime de outsourcing, por exemplo, ou à mesma assistência jurídica.

Essa opção é especialmente interessante porque garante que a empresa trabalhe com parceiros que já conhecem seu negócio e estão dispostas a crescer conjuntamente.

7. Conte com estímulos estatais

A verdade é que sua empresa pode ir além do universo dos investidores privados. O Estado brasileiro possui mecanismos e instituições que buscam estimular a internacionalização das empresas daqui — afinal, isso traz ganhos para o país!

Um bom exemplo vem do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), criado justamente para financiar o crescimento de negócios brasileiros. O BNDES oferece linhas de crédito especiais para exportadores. Caso tais negócios sejam de pequeno e médio portes, é possível contar com condições de pagamento facilitadas e taxas de juros mais amigáveis.

8. Alinhe a cultura empresarial

Temos aqui um fator mais subjetivo, mas que nem por isso pode sair do radar de quem pretende se internacionalizar: estamos falando do alinhamento da cultura empresarial. É essencial que todos os funcionários, não importando onde estejam, entendam os valores da organização, respeitem as práticas já adotadas e consigam se guiar por objetivos em comum.

Aliás, esse desafio é apontado por 57% dos empresários que responderam à pesquisa da APEX-Brasil, que sentem que a maior dificuldade na internacionalização das empresas é garantir uma boa compreensão da cultura organizacional. O ideal, assim, é estabelecer canais de comunicação fluidos e garantir a integração entre as diferentes plantas do negócio. Para isso, alinhe processos, promova treinamentos e invista no intercâmbio de funcionários.

9. Respeite a cultura do país

Por fim, não deixe de pesquisar sobre a história, os hábitos e as tradições do país onde você quer atuar. Esse cuidado garante uma boa aceitação da empresa no mercado externo, uma vez que ela se adaptará mais facilmente.

Para sanar qualquer dúvida sobre a importância desse aspecto, vale um exemplo rápido: o McDonald’s, maior rede de fast-food do mundo, não conseguiu ser bem-sucedido na Bolívia porque não convenceu a população local de que a praticidade envolvida valia o preço cobrado.

Para fechar este post com chave de ouro, que tal aproveitar para entender como é possível sobreviver a um processo de M&A?